Jaime Lerner - Prefeito de Curitiba - 3 ª gestão

 
Grandes avanços - Em sua terceira gestão (1989-92), Jaime Lerner projeta seus programas para o meio ambiente e para a melhoria da qualidade de vida da população.

Lerner investiu muito em habitação, criando um grande número de programas, como o dos lotes populares. O Bairro Novo, lançado em 1991, que distribuiu lotes urbanizados a 10 mil famílias e habitações prontas a outras 20 mil, hoje é praticamente uma cidade.

Nos programas voltados às crianças, Lerner implantou 30 centros de educação integral, escola onde o estudante podia passar o dia todo ou metade dele, no contrafluxo do horário escolar. O objetivo era ocupar as crianças para que não ficassem nas ruas, oferecendo atividades de pesquisa, esporte e lazer, além de refeições.

A criação do Vale-Creche ampliou os programas sociais voltados às crianças. Pequenas e grandes empresas passaram a comprar vagas em creches públicas, beneficiando seus funcionários e financiando a criação de novas unidades e a abertura de mais vagas para a comunidade carente. Todas as creches passaram a ter pré-escola. Outro projeto foi o “Programa de Integração da Infância e da Adolescência – Piá”. As unidades do “Piá” – muitas instaladas em parques da cidade – ajudaram a tirar crianças das ruas e levá-las de volta para a escola.

Também foi criada a “Linha do Ofício”, um programa que transforma velhos ônibus em pequenas escolas de iniciação profissional. As escolas circulam por bairros da cidade, permanecendo o tempo necessário para a conclusão dos cursos.

Outro destaque foi a implantação das Unidades de Saúde 24 Horas, contando com pronto atendimento médico-odontológico e capacidade para pequenas cirurgias e internações de curta permanência.

A “Capital Ecológica” - Os grandes destaques da terceira gestão foram o ônibus Ligeirinho, o programa “Lixo que não é Lixo”, o Jardim Botânico, a Ópera de Arame, a Pedreira Paulo Leminski e a Universidade Livre do Meio Ambiente – UNILIVRE.

 
"Lixo que não é Lixo" - Há mais de 15 anos a cidade atua na coleta seletiva de lixo. O programa “Lixo que não é Lixo” de coleta, separação e reciclagem do lixo recolhe um volume de 15.000 toneladas ao ano, e conta com a colaboração de 70 % da população que fez de suas residências pequenas usinas de separação de lixo. Este lixo é encaminhado para a usina de reciclagem em Campo Magro, e de processamento de embalagens no Linhão do Emprego no bairro Cajuru. Com o tempo foram surgindo outros programas complementares como o “Câmbio Verde” – a prefeitura compra o excedente da produção agrícola de pequenos proprietários rurais e troca por lixo reciclável nas comunidades carentes.

O Ligeirinho e o ônibus biarticulado com suas Estações-Tubo, implantados a partir de 1991, ampliaram consideravelmente a capacidade de transporte da cidade.

A cidade também mudou sua paisagem. A antiga usina de asfalto criada por Lerner em sua primeira gestão, no bairro do Pilarzinho, quando a ocupação habitacional na região era mínima, foi transformada na Pedreira Paulo Leminski, espaço cultural aberto para grandes eventos. No espaço das duas pedreiras desativadas surgiu também a “Ópera de Arame”, um teatro com 2.500 lugares, construído com armações tubulares, que é hoje um dos cartões postais da cidade.

O Jardim Botânico representa hoje um dos principais marcos ambientais para a população curitibana e a Universidade Livre do Meio Ambiente tornou-se uma referência internacional na disseminação de práticas e informações em gestão urbana sustentável.

Mas as estrelas desta gestão foram os programas voltados ao lixo urbano. O primeiro, a “Compra do Lixo” nas favelas, premiado pela Organização das Nações Unidas, atacou o problema do lixo nos bolsões mais pobres da cidade, onde o acesso dos veículos coletores era inviável e envolveu a participação total das comunidades no recolhimento do lixo que na seqüência era trocado por vales-transporte.

Em seguida, foi lançado o programa para toda a cidade, o "Lixo que não é Lixo", que tem a adesão de cerca de 70% da população que passou a separar o lixo reciclável do biodegradável. Começou nas escolas: as professoras pediam às crianças que trouxessem pilhas e tubos vazios de pasta de dente, trocando-os por figurinhas e rapidamente ganhou as ruas e a população, reciclando 150 toneladas diárias de lixo e poupando o equivalente a 1.200 árvores por dia.