Jaime Lerner - Prefeito de Curitiba - 1 ª gestão

 
Foi prefeito de Curitiba em três mandatos: nos períodos de 1971/75, de 1979/83 e de 1989/92.

Durante sua primeira gestão como prefeito de Curitiba, no período de 1971 a 1975, Lerner iniciou as transformações da cidade e implantou o Sistema Integrado de Transporte Coletivo, reconhecido internacionalmente pela sua eficiência, qualidade e baixo custo.


Nas duas gestões seguintes, além das ações de vanguarda no planejamento urbano, Lerner intensificou um amplo programa que resultou em avanços na área social, destacando Curitiba como uma das cidades com um dos maiores índices de qualidade de vida no Brasil.

Novos paradigmas - Em 1971, com 33 anos, Jaime Lerner assumiu a Prefeitura de Curitiba, na época uma cidade com pouco mais de 600 mil habitantes e fortemente pressionada pelo êxodo rural e com baixo índice de industrialização.

“O automóvel é a sogra mecânica”, dizia, para frisar a necessidade de se dar prevalência ao transporte coletivo e ao pedestre. “Viaduto só serve para deslocar um engarrafamento de um ponto para outro”, ensinava, mostrando que este recurso só é válido para separar tráfegos distintos.

Em três gestões à frente da cidade, Lerner colocou Curitiba no mapa do Brasil e do mundo por suas soluções de vanguarda urbana. Multiplicou as áreas verdes, criando grandes parques e arborizando as ruas, fechou uma parte do centro aos automóveis, preservou áreas históricas, implantou um sistema integrado de transporte urbano, construiu as primeiras creches e postos de saúde, investiu maciçamente em programas habitacionais e implantou a Cidade Industrial de Curitiba (CIC), que sustentou o desenvolvimento da capital.

Uma estrutura de crescimento – Logo que assumiu a prefeitura pela primeira vez, em 1971, o arquiteto Jaime Lerner tirou do papel o Plano Diretor da cidade, que existia desde 1965 e que ajudou a detalhar enquanto trabalhou no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC).

O plano pautou três transformações básicas: a física (reestruturação de vias, zoneamento e uso do solo, e sistema de transporte coletivo), a cultural (o curitibano assume sua identidade com a cidade, a partir do calçadão de pedestres da Rua das Flores, dos parques, do Teatro do Paiol e da Fundação Cultural de Curitiba) e a econômica (puxada pela implantação da CIC). Terminada a primeira gestão, a cidade havia plantado solidamente o conceito de capital ecológica.

Num período de quatro anos, Curitiba ganhou seu primeiro plano integrado de transporte com a criação dos ônibus expressos, das linhas alimentadoras, e das canaletas exclusivas.

 
Curitiba foi a primeira cidade a fechar o centro para os automóveis, com a criação da Rua das Flores, e também inovou ao valorizar o centro histórico, priorizando a memória urbana.

A cidade definiu sua estrutura de crescimento, determinando as zonas residenciais, comerciais e de serviços e estabelecendo normas para o adensamento populacional.



Promoveu-se uma grande transformação cultural, com novos pontos de encontro, praças e bosques, e a reciclagem de uso de edifícios antigos, como o Teatro Paiol (antigo paiol de pólvora da prefeitura).

Foram implantados os primeiros grandes parques da cidade (Barigüi, Barreirinha, São Lourenço). Na época, Curitiba dispunha de pouco mais de meio metro quadrado de área verde por habitante. Hoje tem mais de 55 metros quadrados por habitante, três vezes mais do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

A criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) deu suporte econômico à transformação vivida pela cidade. A 10 km do centro, integrada à malha urbana por cinco vias conectoras e pelo sistema de transporte coletivo, a CIC nasceu como cidade (funções e serviços integrados) e não como distrito industrial. Foi planejada para receber indústrias sem causar danos ao meio ambiente. Atualmente, a CIC contabiliza 794 empresas, que geram 50 mil empregos diretos e 150 mil indiretos.