Mega-situação

É preciso primeiro atender à demanda da sobrevivência e depois à demanda das aspirações.

As cidades caminham para se tornar metrópoles ou megacidades. Melhor do que definir uma megacidade é caracterizar bem o que denominamos de megassituação.
Não pensamos somente em termos de população ou de tamanho, porém, como uma situação fora de controle - a megassituação - que poderia ser essencialmente definida por alguns aspectos:

  • quando não há comando sobre o crescimento da cidade;

  • quando há deterioração nas condições da qualidade de vida;

  • quando há um processo contínuo de marginalização;

  • quando se atingiu um tal estágio de saturação que o acesso às tecnologias existentes é difícil.


  • Assim, observamos a existência do problema não na cidade ou na megacidade em si, mas em uma situação real, a que chamamos megassituação.
    Esta situação surge cada vez mais nos países em desenvolvimento - aqueles que não dominam tecnologias de ponta. Em termos de tecnologia seria necessário, primeiro, atender à demanda de sobrevivência - necessidades básicas - e depois atender à demanda das aspirações.

    Conseqüentemente, é necessário decompor o problema ao nível da tecnologia já dominada e disponível, em vez de aumentar e superestimar o problema até atingir o nível de tecnologias mais sofisticadas. Isso equivale a dizer que a megacidade não precisa de megaestruturas para resolver seus problemas.

    Para a megacidade que pode estar em megassituação - uma situação de alerta, como quando são detectados sintomas em um organismo doente -, a primeira providência é agir. Agir com urgência, como se estivéssemos em um estado de guerra. Esta situação exige:

  • comando sobre o crescimento urbano;

  • integração das funções urbanas;

  • moradia e trabalho juntos, isto é, empregos próximos aos locais onde a população mora;

  • total prioridade ao transporte de massa;

  • limitações à circulação de automóveis e uso de dispositivos antipoluição;

  • transporte individual para curtas distâncias na forma de veículo que opere em baixa velocidade e sem causar poluição;

  • transporte coletivo - como outras funções - com resultados imediatos, porque a megassituação não admite qualquer perda de tempo. Os benefícios deverão ser progressivos, materializando-se por uma evolução gradual;

  • adoção de visão teleológica das soluções (atuar hoje tendo em vista o futuro);

  • construção de uma ou mais moradias em cidades pequenas para cada moradia construída na megassituação;

  • criação proporcional de empregos em cidades menores, como contrapartida aos empregos criados na megassituação;

  • decomposição em unidades menores das estruturas administrativas, em vez de crescerem no mesmo ritmo da cidade;

  • redução da escala nas redes de infra-estrutura e na coleta do lixo.

  • ocupação de todos os espaços vazios, a não ser que já tenham uso definido dentro da cidade;

  • uso da cidade em tempo integral, ou seja, 24 horas por dia;

  • garantia de um padrão de vida decente (atendimento às necessidades básicas) ao migrante que retornar a seu local de origem.