A cidade o futuro

Em essência, as cidades são iguais. O diferencial da cidade do futuro estará em sua capacidade de se reconciliar com a natureza e com seus habitantes.

 
As cidades do futuro não serão cidades à imagem de Flash Gordon. A cidade de hoje não é muito diferente da de 300 anos atrás, talvez porque os instrumentos políticos e jurídicos costumem avançar mais devagar que a tecnologia.

Portanto, não há razão para acreditar que, daqui a 20 ou 30 anos, a cidade vá ser muito diferente do que é hoje.


O que irá tornar as cidades diferentes é essencialmente sua capacidade de se reconciliar com a natureza e com seus habitantes.

A grande revolução será a diminuição da escala dos geradores de empregos. Isso, porque a tendência é a terceirização, é a reciclagem rápida do emprego. Isto se observa nos autônomos e nas empresas.

Tem-se que pensar cada vez mais numa visão de vida e trabalho juntos. Convencionou-se que, pelo fato de as cidades estarem se tornando grandes, cada vez mais teriam que ser grandes as soluções. Esse é um grave erro. Uma volta a menos no parafuso do desenvolvimento, nos padrões em que ele tem sido encarado, poderá ser no mínimo uma pausa sensata. Uma pausa para refletir se o progresso aumentou na cidade ou no campo não mais corresponde às aspirações humanas globais. A primeira decisão a tomar é a mesma para qualquer cidade, independentemente de seu tamanho: para onde vai crescer?

Se você vai investir em sistema de transporte, em saneamento, tem que saber para onde vai. O planejamento é que ajuda e pode mesmo induzir o crescimento da cidade.

Uma contribuição muito discutível para o urbanismo contemporâneo foi a interpretação errônea da Carta de Atenas, que simplesmente analisou a cidade mas não criou regras. Analisou que na cidade existem as funções de habitar, trabalhar, circular e recrear. Alguns interpretaram como se tudo isso tivesse que ser separado. Aí aconteceu a tragédia. Insisto: nada melhor que uma rua tradicional foi inventado até hoje.