Fazer acontecer Temos o presente e a responsabilidade de abrir caminhos, buscando não o ideal distante, mas o possível já.
A política urbana necessária é aquela capaz de gerar transformações que aconteçam agora, não as que precisem de vinte anos. O importante é fazer acontecer agora e depois levar o resto do tempo aperfeiçoando. Cabem às futuras gerações as soluções futuras; cabem à nossa geração as soluções que possam acontecer agora. Nós não temos a eternidade para tentar fazer as coisas. Temos o presente e a responsabilidade de abrir caminhos, buscando não o ideal distante, mas o possível já. Fazer acontecer tem que ser meta permanente dos responsáveis pelas cidades. Para isso é preciso aceitar o simples, fazer do simples a base do futuro. A visão clara do objetivo futuro é o melhor guia para a ação presente. Isso significa, por exemplo: Planejar é para acontecer, não para agradar aos burocratas que decidem os recursos. No se puede hacer nada mientras no hay un cambio de estructuras é o eterno clamor. A mudança de estruturas não cai do céu: só acontece quando se inicia o processo de transformação. A visão mais paternalista é a famosa "opção pela miséria", o pacto dos poderosos com os manipuladores da miséria. Isso acontece quando nada se faz para aumentar as opções de emprego; nada se faz para promover o pobre, levantá-lo, arrancá-lo do nível de sobrevivência; quando se continua entregando a esmola do alimento e dos serviços essenciais nas suas mãos, em nome do patrocinador. Não queremos um urbanismo hipócrita, usado para convencer os burocratas. "Quando o último sociólogo for estrangulado com as tripas do último burocrata, será que ainda teremos problemas?" (grafite em Paris, França, nos anos 60). O planejamento deve ser voltado para as pessoas, não para as estruturas burocráticas centralizadas. É necessário descentralizar, simplificar as decisões, os recursos, as iniciativas. É necessário fazer acontecer. Já. |