Fazer acontecer

Temos o presente e a responsabilidade de abrir caminhos, buscando não o ideal distante, mas o possível já.

 
Na raiz da grande transformação está a pequena transformação: uma pequena mudança pode ser o começo de uma grande.

A política urbana necessária é aquela capaz de gerar transformações que aconteçam agora, não as que precisem de vinte anos. O importante é fazer acontecer agora e depois levar o resto do tempo aperfeiçoando.


Cabem às futuras gerações as soluções futuras; cabem à nossa geração as soluções que possam acontecer agora. Nós não temos a eternidade para tentar fazer as coisas. Temos o presente e a responsabilidade de abrir caminhos, buscando não o ideal distante, mas o possível já.

Fazer acontecer tem que ser meta permanente dos responsáveis pelas cidades. Para isso é preciso aceitar o simples, fazer do simples a base do futuro.

A visão clara do objetivo futuro é o melhor guia para a ação presente. Isso significa, por exemplo:

  • fazer do ônibus o embrião do metrô;

  • fazer do corrimão da escadaria que sobe o morro a infra-estrutura da favela;

  • fazer da indústria de fundo de quintal ou da garagem a base para a transformação econômica;

  • fazer da escola a base da integração da criança com a sociedade;

  • fazer do aumento de trocas entre a população de renda alta e baixa a base para um programa de segurança;

  • fazer do saneamento casa a casa, ou quadra a quadra, a solução do problema de saneamento básico da cidade;

  • fazer de um conjunto habitacional exemplo para um programa de integração de vizinhança;

  • fazer da memória da cidade a base de um programa de revitalização;

  • fazer de uma comunidade “rurbana” a base para uma reforma agrária viável.


  • Planejar é para acontecer, não para agradar aos burocratas que decidem os recursos. No se puede hacer nada mientras no hay un cambio de estructuras é o eterno clamor. A mudança de estruturas não cai do céu: só acontece quando se inicia o processo de transformação.

    A visão mais paternalista é a famosa "opção pela miséria", o pacto dos poderosos com os manipuladores da miséria. Isso acontece quando nada se faz para aumentar as opções de emprego; nada se faz para promover o pobre, levantá-lo, arrancá-lo do nível de sobrevivência; quando se continua entregando a esmola do alimento e dos serviços essenciais nas suas mãos, em nome do patrocinador.

    Não queremos um urbanismo hipócrita, usado para convencer os burocratas. "Quando o último sociólogo for estrangulado com as tripas do último burocrata, será que ainda teremos problemas?" (grafite em Paris, França, nos anos 60).

    O planejamento deve ser voltado para as pessoas, não para as estruturas burocráticas centralizadas. É necessário descentralizar, simplificar as decisões, os recursos, as iniciativas. É necessário fazer acontecer. Já.