Causa compartilhada

Para se realizar um sonho coletivo, que é uma cidade, é preciso criar uma vontade coletiva, uma causa compartilhada.

 
Não há problema, numa cidade, que não possa ser resolvido, porque todos os problemas têm uma equação de co-responsabilidade.

Criar uma vontade coletiva, uma causa compartilhada, é a fase final e inicial de qualquer intervenção realmente importante. Se é difícil realizar um sonho individual, mais difícil é realizar um sonho coletivo, tamanhas são as diferenças entre sonhos, necessidades e ambições, de uma pessoa para outra. Ora, para se realizar um sonho

coletivo, que é uma cidade, realmente a causa tem que ser compartilhada.

Há alguns anos, em artigo sobre o centenário da Ponte do Brooklyn, Paul Goldberg escreveu uma frase que guardo até hoje: "Um verdadeiro monumento deve representar uma espécie de causa partilhada que liga os diferentes segmentos da sociedade".

As cidades, como os monumentos, devem representar essa causa partilhada. Qualquer cidade, grande ou pequena, pode ser melhorada se os responsáveis por ela puderem transformar cada problema e cada potencial em uma causa partilhada por toda a comunidade.

Por isso, gerir uma cidade é, acima de tudo, realizar o sonho coletivo. Mas para isso é preciso ter uma visão estratégica das cidades.

As cidades podem mudar um país, mas, para isso, é preciso que os governos centrais tenham a visão estratégica do poder local. E, sobretudo, é preciso que os gestores da cidade sejam os gestores da mudança.

Um dos pontos fundamentais para fazer acontecer a causa compartilhada é o respeito. Não se muda um país só com medidas econômicas. A medida econômica é boa, mas tem que ter sustentação de toda a população. É claro que há alguma sustentação, porque as pessoas passam a consumir mais e a estabilidade funciona para grande parte da população. Mas ainda não há boa escola, bom atendimento em saúde, bom transporte para todos, ou seja, no seu dia-a-dia as pessoas não se sentem respeitadas e, por isso, não assumem uma co-responsabilidade.

É o mesmo raciocínio de que se parte para uma cidade: causa compartilhada vem de uma coisa chamada respeito. Se você é respeitado, passa a ser co-responsável, passa a fazer parte dessa equação de co-responsabilidade que não é só governo, iniciativa privada, associações, mas é o cidadão.

Em cidade, estado, país nem sempre a resolução de um problema é questão de dinheiro, ou só de dinheiro. Monta-se uma equação de co-responsabilidade e as coisas acontecem. O recurso financeiro é importante, mas se você não o tem e consegue montar uma equação de co-responsabilidade, acaba viabilizando a proposta.